domingo, 26 de abril de 2009

Áporo

(Carlos Drummond de Andrade)

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Quer fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

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